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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Conforme prometido: Rosa Lobato Faria, uma obra, uma vida

Se eu morrer de manhã

Se eu morrer de manhã

abre a janela devagar

e olha com rigor o dia que não tenho.

Não me lamentes. Eu não me entristeço:

ter tido a noite é mais do que mereço

se nem conheço a noite de que venho.

Deixa entrar pela casa um pouco de ar

e um pedaço de céu

- o único que sei.

Talvez um pássaro me estenda a asa

que não saber voar

foi sempre a minha lei.

Não busques o meu hálito no espelho.

Não chames o meu nome que eu não venho

e do mistério nada te direi.

Diz que não estou se alguém bater à porta.

Deixa que eu faça o meu papel de morta

pois não estar é da morte quanto sei.


BIOGRAFIA

Poetisa, romancista, argumentista, cronista e actriz de teatro, cinema e televisão, sendo igualmente autora de letras de canções e fados.

Começou a escrever poesia aos seis anos de idade. Letras de sua autoria foram premiadas, por quatro vezes, em festivais da canção. Tem, ainda, duas representações no Festival OTI e no Festival das Sociedades de Autores de Salónica. Obteve também um prémio da «Grande Marcha Popular de Lisboa».

É autora de duas telenovelas, «Passarelle» e «Telhados de Vidro», e de quatro séries para televisão, «Nem o Pai Morre...», «Pisca-Pisca», «Tudo ao Molho e Fé em Deus» e «Trapos e Companhia».

Para o teatro elaborou uma adaptação da peça de Júlio Dantas, A Severa.

Desenvolve a sua actividade por diversas áreas da cultura, tendo colaborado, entre outras publicações, na Revista da Sociedade Portuguesa de Autores, no Mundo Feminino e na Máxima, onde veio a publicar um conto de Natal. Tem crónicas e contos dispersos por vários órgãos de comunicação social.


Bibliografia

Os deuses de pedra (poesia), 1983

As pequenas palavras (poesia), 1987

História de muitas cores (infantil), 1987 ; 2003

Memória do corpo (poesia), 1992

Livro do livro (ensaio), [et al.], 1995

O pranto de Lúcifer (romance), 1995 ; 2005

Os pássaros de seda (romance), 1996 ; 2005

Os três casamentos de Camilla S. (romance), 1997 ; 2005

Poemas escolhidos e dispersos, 1997

Romance de Cordélia (romance), 1998

A gaveta de baixo (poesia), 1999

O prenúncio das águas (romance), 1999 ; 2002

As quatro portas do céu (juvenil), 2000 ;

A trança de Inês (romance), 2001 ; 2010

ABC dos bichos : em rima infantil (infantil), 2001 ; 2004

ABC das flores e dos frutos : em rima infantil (infantil), 2002 ; 2008

O sétimo véu (romance), 2003 ; 2005

ABC das coisas mágicas em rima infantil (infantil), 2004

Os linhos da avó (contos), 2004

A flor do sal (romance), 2005

Os novos mistérios de Sintra (romance) (em colaboração com vários), 2005

A erva milagrosa, 2006

Asas sobre a cidade : conto de Natal, 2006

O código d'Avintes (romance) (em colaboração com vários), 2006

A alma trocada (romance), 2007

A estrela de Gonçalo Enes (romance), 2007 ; 2008

As esquinas do tempo (romance), 2008

A menina e o cisne (infantil), 2010

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Faça lá um poema... Patrícia Costa, 5ºC - Menção Honrosa

Escrever em português
faz se com imaginação
cria-se no coração
e escreve-se com paixão

Quando leio em português
faço-o com amor
e pelas minhas veias
corre-me o calor

Eu vi muitas letras juntas
que formavam a palavra flor
e olhando para um texto
dele sai o amor

Leio com emoção
e escrevo com calor
é no fundo da minha alma
que encontro a palavra amor

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Faça lá um poema...


O prazo para entrega dos poemas termina dia 25 de Janeiro!
Vá lá, faz um poema e habilita-te a ir ao Centro Cultural de Belém no Dia Mundial da Poesia! Entrega o teu poema, devidamente identificado, na tua Biblioteca.
Serão seleccionados três poemas, um por cada Ciclo de ensino, um deles pode ser o teu!
A entrega de prémios terá lugar no CCB a 21 de Março de 2010 e será integrada no programa do Dia Mundial da Poesia.

domingo, 13 de dezembro de 2009

A propósito de poema, António Gedeão e o Natal - Clica no link para o ouvires!

Dia de Natal

Hoje é dia de era bom.

É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,

de falar e de ouvir com mavioso tom,

de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,

de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,

de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,

de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.

É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,

como se de anjos fosse,

numa toada doce,

de violas e banjos,

Entoa gravemente um hino ao Criador.

E mal se extinguem os clamores plangentes,

a voz do locutor

anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu

e as vozes crescem num fervor patético.

(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?

Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.

Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.

Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas

e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,

com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,

cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,

as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,

ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.

É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,

como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.

Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.

E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento

e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprado.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.

Naquela véspera santa

a sua comoção é tanta, tanta, tanta,

que nem dorme serena.

Cada menino

abre um olhinho

na noite incerta

para ver se a aurora

já está desperta.

De manhãzinha,

salta da cama,

corre à cozinha

mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza

da matutina luz

aguarda-o a surpresa

do Menino Jesus.

Jesus

o doce Jesus,

o mesmo que nasceu na manjedoura,

veio pôr no sapatinho

do Pedrinho

uma metralhadora.

Que alegria

reinou naquela casa em todo o santo dia!

O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,

fuzilava tudo com devastadoras rajadas

e obrigava as criadas

a caírem no chão como se fossem mortas:

Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Já está!

E fazia-as erguer para de novo matá-las.

E até mesmo a mamã e o sisudo papá

fingiam

que caíam

crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,

Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,

de Sonhos e Venturas.

É dia de Natal.

Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.

Glória a Deus nas Alturas.