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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Dia da Língua Materna, 21 de Fevereiro. O que pensaria Fernando Pessoa do Acordo Ortográfico?

«Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, "Fabricou Salomão um palacio..." E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes — tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é — não — a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d´aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.
Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa própria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ípsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
Sim, porque a orthographia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-m´a do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha.»
Fernando Pessoa

1888-1935. Poeta português, nascido em Lisboa, considerado a maior figura literária do século XX, teve grande influência no chamado movimento futurista ou modernista. Colaborou em prosa e verso em várias publicações e dirigiu as revistas "Orfeu" e "Atena". Autor de "Mensagem", usou ainda heterónimos para várias obras suas: "Poesias" (Álvaro de Campos), "Poemas" (Alberto Caeiro) e "Odes" ( Ricardo Reis), além do "Livro do Desassossego" (Bernardo Soares).

domingo, 13 de junho de 2010

Fernando... todos os dias... Pessoa

Posso ter defeitos, viver ansioso

e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

sábado, 12 de junho de 2010

Fernando Pessoa, 13 de Junho


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Fernando Pessoa, ainda e sempre

Perfil de Fernando Pessoa premiado
Fernando Pessoa passeia-se por Évora, foi desta forma que a nossa escola participou no concurso lançado pela Câmara Municipal de Évora,
“Pessoa aos Nossos Olhos”.
A turma orientada pela professora Mª João Machado obteve o 2º lugar.

A felicidade exige valentia.
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A poesia soltou-se com José Fanha



















No âmbito dos projectos "A Fada Palavrinha e o Gigante das Bibliotecas" e "A LER+", a Câmara Municipal oferece a vinda do poeta e comunicador José Fanha que vai acompanhar de perto o trabalho de duas turmas do 5º ano, com o objectivo de ler, conhecer, sentir, conviver e criar poesia. Muitos poetas, mas particularmente a(s) Pessoa(s) de Fernando, vão caminhar com alunos e professores envolvidos neste processo de inovar e crescer com a palavra, na descoberta dos mil sentidos que em cada um ecoa e se solta.
Foi uma manhã de emoções e de bem estar. Alunos partilharam a leitura de poemas seus.

Agora, é realizar com afinco o trabalho que suspende a próxima visita de Fanha. Até lá, com um sorriso de agradecimento e desejo de um autógrafo. prometido para a próxima! :-)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Edgar Allan Poe traduzido por Fernando Pessoa

Celebram-se os 200 anos do nascimento de Edgar Allan Poe (1809-1849), escritor, poeta e romancista norte americano. Com Júlio Verne, é considerado percursor da moderna literatura da ficção científica e fantástica. A maior parte da sua obra é denominada de "gótica".
Fernando Pessoa traduziu poemas de Edgar Allan Poe -vejam dois exemplos: o Corvo (the raven) e Annabel Lee em
http://www.culturabrasil.pro.br/pessoaepoe.htm.

Para recordar Poe, escutemos o belo poema Annabel Lee.
(It was many and many a year ago, In a kingdom by the sea,...Foi há muitos e muitos anos já, Num reino de ao pé do mar...)



ANNABEL LEE *( Edgar Allan Poe)
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love- I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud,
chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-Yes!- that was the reason
(as all men know, In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we- Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.
For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so,all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling, my darling, my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.
ANNABEL LEE *(de Edgar Allan Poe, traduzido por Fernando Pessoa) Foi há muitos e muitos anos já,Num reino de ao pé do mar.Como sabeis todos, vivia láAquela que eu soube amar;E vivia sem outro pensamentoQue amar-me e eu a adorar. Eu era criança e ela era criança,Neste reino ao pé do mar;Mas o nosso amor era mais que amor --O meu e o dela a amar;Um amor que os anjos do céu vierama ambos nós invejar. E foi esta a razão por que, há muitos anos,Neste reino ao pé do mar,Um vento saiu duma nuvem, gelandoA linda que eu soube amar;E o seu parente fidalgo veioDe longe a me a tirar,Para a fechar num sepulcroNeste reino ao pé do mar. E os anjos, menos felizes no céu,Ainda a nos invejar...Sim, foi essa a razão (como sabem todos,Neste reino ao pé do mar)Que o vento saiu da nuvem de noiteGelando e matando a que eu soube amar. Mas o nosso amor era mais que o amorDe muitos mais velhos a amar,De muitos de mais meditar,E nem os anjos do céu lá em cima,Nem demónios debaixo do marPoderão separar a minha alma da almaDa linda que eu soube amar. Porque os luares tristonhos só me trazem sonhosDa linda que eu soube amar;E as estrelas nos ares só me lembram olharesDa linda que eu soube amar;E assim 'stou deitado toda a noite ao ladoDo meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,No sepulcro ao pé do mar,Ao pé do murmúrio do mar.